Entenda como o mercado vem trazendo empoderamento para as minorias

Não é de hoje que a moda é usada como forma de expressão, e cada vez mais os consumidores estão em busca de marcas e peças de roupa que lhes tragam o sentimento de representatividade. Para esse público a estética não basta, é necessário uma identificação entre as suas causas pessoais e as da empresa. Feminismo, body positivity, diversidade de gênero, apropriação cultural… São diversas as pautas em discussão atualmente, e é necessário estar sempre ligado nos temas que vêm cativando as pessoas e o mercado.

A seguir, você vai poder entender um pouco mais sobre como a representatividade na moda vem ajudando a empoderar as minorias, em busca de criar um novo cenário de respeito e igualdade. Acompanhe:

Dior – Verão 2017/18

Você lembra quando Maria Grazia Chiuri encantou a todos com a sua primeira coleção para Dior, desfilada em Paris, na qual o destaque ficou por conta das camisetas com a frase “nós todas deveríamos ser feministas?”. Além de trazer visibilidade mundial para o movimento através dessas peças, a estilista também vem pregando o empoderamento feminino na grife, através de projetos como o Women@Dior, que busca capacitar e dar voz a jovens mulheres.

O trabalho de Maria Grazia surge como introdução nessa matéria pois é um perfeito exemplo do que o público procura: ela fez com que o movimento feminista não ficasse apenas na passarela, e fez dele uma causa a ser defendida pela empresa. O empoderamento e a representatividade aqui vão muito além do que é visto nas passarelas, mas de marcas que carreguem o ativismo em seu DNA.

Dior – Paris | Women@Dior

O body positivity é outra forma interessante que o mercado da moda encontrou para expressar o empoderamento. A ideia não é apenas representar diferentes biotipos em suas mídias, e sim fazer com que os indivíduos se sintam bem com seu corpo e amem a si mesmos do jeito que são. Dessa forma, é possível ver algumas marcas abolindo as manipulações visuais de suas campanhas e lookbooks, como a Modcloth, e as marcas plus size e modelos fora do padrão ganham cada vez mais espaço nas semanas de moda.

Christian Siriano – Nova York Body positivity Modcloth

Ainda é valido citar como exemplo a grande discussão em torno da criação de tonalidades inclusivas da cor “nude”, como fez a marca de moda íntima e fitness Björn Borg. Esse é um debate antigo e que ganha maior profundidade a cada dia. Atualmente, entra em jogo não apenas da cor da pele, mas também um olhar atencioso foi dedicado sobre as diferentes etnias existentes, assim como as necessidades e características de cada uma. Pensando nisso, a Balmain e a L’Oréal desenvolveram uma coleção composta por 12 batons com a finalidade de se encaixar em diversos tons de pele.

L’oreal X Balmain

Essa preocupação com as diferentes etnias também nos leva a notar uma maior relevância das culturas que antes tinham uma menor representatividade no mercado, como as muçulmanas. Além de ganharem espaço na mídia, estrelando capas de revistas e fazendo parte do casting de desfiles de moda, suas necessidades passaram a ser atendidas por diversas empresas, como a American Eagle e a Nike, que inseriram hijabs em seu mix de produtos.

Halima Aden na capa da Allure americana | American Eagle Hijabs | Nike Pro Hijabs | Prabal Gurung – Nova York

Outro resultado dessa maior representatividade de diversas etnias é a valorização das culturas locais. Dessa forma é possível percebermos que as pessoas usam as sua visibilidade para fortalecer os hábitos de suas regiões. Seja através de ativismo, como a escritora Chimamanda Adichie, que criou o projeto Wear Nigéria e apenas veste marcas de seus país, ou por meio do resgate de tradições para a criação de uma identidade visual, como vem fazendo a cantora Beyoncé. Aqui no Brasil, um exemplo é o projeto Ceará Moda Contemporânea, que levou para o Dragão Fashion 2017 looks inspirados nos costumes do estado.

Wear Nigeria | Beyoncé e os gêmeos Rumi e Sir Carter | Ceará Moda Contemporânea – Dragão Fashion 2017

Por fim, podemos perceber que as questões de identidade de gênero vêm sendo tratadas com mais naturalidade pelo mercado da moda. A presença de drag queens, homossexuais e transgêneros nas campanhas e capas de revistas se tornam representatividade quando deixam de aparecer apenas nos materiais de vanguarda e alcançam um público maior. Isso acontece em ocasiões como a campanhas da Chilli Beans estrelada por Pabllo Vittar, assim como a revista Marie Claire, que tem a modelo Hari Nef na capa da edição de setembro de 2017.

Pabllo Vittar estrelando campanha da Chilli Beans | Editorial For Boys Too, de Gabriela Basso | Hari Nef na capa da revista Marie Claire

No cenário De Igual Para Igual, visto nas nossas últimas publicações de comportamento de consumo, você pode aprofundar um pouco mais o olhar sobre o movimento visto acima, entendendo como outros diversos segmentos também estão abordando a representatividade e valorizando relações baseadas em identificação.

Fonte: UseFashion Blog.