Será que vamos vestir algas no futuro? A indústria da moda é uma das mais poluentes e os tecidos sintéticos feitos de petróleo contribuem enormemente para essa poluição. É preciso criar novos fios têxteis sustentáveis para uma indústria da moda circular, e essa é a proposta do Algiknit, um grupo de pesquisa do New York Fashion Institute of Technology (FIT), que acredita que “a biologia é o futuro da moda”.

Eles foram premiados pelo Chasing Genius da National Geographic, na categoria Planeta Sustentável. O desafio busca inovadores para compartilhar ideias sobre novas formas de resolver alguns dos problemas mais críticos do nosso tempo, como a erradicação da fome no mundo ou melhorar a saúde do planeta. Algiknit foi selecionado entre 2.800 participantes e recebeu um prêmio de 25.000 dólares.

O projeto de economia circular visa oferecer uma alternativa enraizada na inteligência ecológica, práticas de corantes naturais, e inovação em biomateriais com o ciclo de vida do produto em circuito fechado, utilizando materiais com um impacto ambiental significativamente menor do que os tecidos agrícolas ou à base de petróleo convencionais (por exemplo algodão e poliéster). O objetivo é criar fios têxteis de base biológica para calçados e vestuário do século 21.

O prêmio se encaixou como uma luva para a equipe que pretende desenvolver um protótipo de biomaterial para substituir tecidos sintéticos como poliéster, cuja criação, como outros semelhantes, contaminam o planeta com toneladas de micro-plásticos que acabam nos oceanos a cada ano. A aventura começou em 2016 com os estudantes Tessa Callaghan, Aleksandra Gosiewski e Aaron Nesser e com os professores Asta Skocir e Theanne Schirosem na sua participação no Desafio em Bio-design promovido pelo FIT.

 

Cada um dos membros da equipe juntaram seus pontos fortes: física, química, sustentabilidade, design industrial e até mesmo gosto e habilidade em tecelagem. Na colaboração entre cientistas e designers com uma iniciativa inspirada na natureza surgiu o Algiknit.

“Começamos a trabalhar com um número de biopolímeros tais como quitina, celulose microbiana e ágar (uma substância gelatinosa de origem marinha) para entender como eles se comportam em diferentes condições”, explica Aaron Nesser, da equipe de especialista em design industrial. “Nós gastamos tempo suficiente na criação de diferentes tipos de filmes de biopolímeros, mas nós percebemos que não se comportam bem como tecidos. Precisávamos de uma nova abordagem. “

Os pesquisadores perceberam que a maioria dos tecidos são feitos de uma fibra que é tecida ou costurada, então eles mudaram o objetivo de suas pesquisas, eles pararam de se concentrar em criar um filme para ser transformado em fio. Daí criaram o fio de alginato de sódio derivado de algas marrons, que é o que finalmente se tornou o seu produto.

O biofio Algiknit, é um material completamente biodegradável e quatro vezes mais forte do que o algodão ou a lã com propriedades similares ao nylon na sua força. No fim da vida útil do produto, Algiknit decompõe-se com os fungos que podem fornecer nutrientes para a próxima geração de materiais, e com isso gerando um ciclo de vida fechado.

Florestas de algas possuem a regeneração mais rápida do planeta e funcionam como reservatórios de carbono, fornecendo um tampão vital contra os efeitos de alterações climáticas.

O projeto Algiknit aposta num tipo de economia circular que não produz resíduos ou poluição em qualquer momento durante o processo, utilizando também vários pigmentos naturais para tingir os fios de algas, eliminando os tóxicos pigmentos sintéticos.

Mas o Algiknit vai demorar alguns anos para chegar ao mercado. Seus criadores estão trabalhando em seu desenvolvimento e o próximo passo é fazer com que a elasticidade seja suficiente para tecer o fio industrialmente. Depois a equipe desenvolverá a maquinaria necessária para produzir o biofio em pequena escala. Somente as novas tecnologias de economia circular poderão resolver a poluição e desperdício causados pela economia linear.

Fonte: Stylo Urbano.