A fibra Nanollose ganhou atenção mundial dois anos atrás, quando um vestido branco feito a partir do processo de fermentação de cerveja estreou numa exposição em Milão. Com o crescente interesse internacional por novas fibras têxteis sustentáveis, a startup australiana Nanollose pretende levantar US$ 5 milhões com investidores para ajudar a comercializar a primeira fibra de nano-celulose livre de plantas do mundo como uma alternativa mais barata e ambientalmente mais amigável ao algodão, polpa de árvore e outros materiais utilizados na indústria têxtil.

Celulose, que é usado para fazer uma variedade de produtos de uso diário, tradicionalmente, tem sido obtida a partir de algodão, linho e madeira. A fibra de Nanollose, pelo contrário, é criada usando bactérias que convertem os resíduos de biomassa a partir das indústrias da cerveja, do vinho e demais líquidos da indústria de alimentos em celulose.

Fibra sustentável do futuro feita por bactérias

O material ficou conhecido dois anos atrás, quando o cientista e fundador da empresa Gary Cass colaborou com a designer Donna Franklin para produzir um vestido feito a partir do processo de fermentação de cerveja para exibição na World Expo 2015 na capital da moda da Itália, Milão. Não foi sua primeira experiência com o uso de líquidos na moda, tendo criado dois anos antes um vestido feito de vinho fermentado, que não foi um sucesso pois a textura não era agradável ao toque e cheirava a vinho.

Vestido feito a partir do processo de fermentação de cerveja para exibição na World Expo 2015

Mas para a Nanollose, o vestido feito de cerveja foi um ponto de viragem para a empresa, pois demonstrou que as suas tecnologias químicas poderiam produzir um protótipo de um material não-tecido sustentável com uma aparência semelhante aos tecidos convencionais e dessa forma, a fibra Nanollose atende a crescente pressão global sobre as empresas têxteis para reduzir seu impacto ambiental. Pelo que parece no vídeo, esse não-tecido de celulose vai ter um aspecto parecido com o não-tecido Tyvek da Dupont feito de petróleo.

A Nanollose pretende invadir o reinado do algodão na indústria têxtil, que é a fibra natural que mais consome água na agricultura,  cobre quase 5% das terras cultivadas do planeta, de todas as culturas ele usa 25% de todos os pesticidas com base petroquímica, fungicidas e herbicidas globalmente. A Nanollose acredita que tem uma solução para isso com sua fibra, que pode ser usada da mesma forma que outras fibras para fazer roupas e têxteis, mas com um impacto ambiental reduzido drasticamente.

A fibra Nanollose atende a crescente pressão global sobre as empresas têxteis para reduzir seu impacto ambiental.

A Nanollose utilizará os recursos dos investidores para melhorar a resistência, durabilidade e capacidade de lavagem da nova fibra, e ao mesmo tempo, prossegue na investigação sobre as fibras convencionais.

A prioridade é fornecer matérias-primas de celulose para a Ásia, a maior consumidora de fibras têxteis do mundo, antes de se expandir a outros fornecedores globais. A empresa também está pesquisando as quantidades de resíduos da fabricação de cerveja e outras indústrias de alimentos para fornecer matéria prima na fabricação da Nanollose em escala global. À medida que mais manchetes que cercam o impacto ambiental da indústria têxtil surgem, há uma crescente urgência das marcas, varejistas e fabricantes em buscarem novas fibra sustentáveis.

Recentemente a gigante do fast fashion H & M lançou um relatório de sustentabilidade destacando seu compromisso de usar 100% de materiais de fontes sustentáveis ​​até 2030, enquanto a Zara se juntou recentemente ao movimento com o lançamento de sua nova linha sustentável, Join Life. As grandes varejistas internacionais de moda barata estão começando a facilitar esta nova mudança, envolvendo-se mais profunda na cadeia de fornecimento e buscando alternativas viáveis e sustentáveis para uma moda circular.

Fonte: Stylo Urbano.