O mundo parece estar cada vez mais incerto, complexo, vulnerável e ambíguo, qualificações que fazem parte do conceito “mundo vuca”. Diante deste cenário, que surgiu especialmente a partir do final dos anos 1990, com a globalização atingindo outros patamares e a China se transformando na “grande fábrica do mundo”, todas as indústrias tiveram que se reinventar. E a indústria da moda não fugiu desta regra.

Nos últimos anos, com os consumidores jovens e questionadores cada vez mais assumindo posições de liderança na sociedade, o status quo do processo produtivo foi colocado à prova. Para sobreviver e para crescer neste cenário competitivo e mutável, cada vez mais empresas da indústria da moda tiveram que adotar tecnologias de ponta e novos processos para ganhar em qualidade, agilidade e atender aos consumidores mais exigentes.

Entre os questionamentos apresentados por estes consumidores estão a destinação do que é consumido após o final do ciclo de vida dos produtos e o uso consciente e racional de matérias primas no processo produtivo. Para ajudar a responder estes questionamentos, foram criados conceitos como “economia afetiva” e “upcycling”. Para falar sobre estes temas, a Audaces promoveu um webinar com a presidente do SCMC (Santa Catarina Moda e Cultura) e gestora da Fundação Hermann Hering, Amélia Malheiros.

Como a presidente do SCMC comenta no webinar, antes do “mundo vuca” dominar o cenário global, as empresas planejavam as suas estratégias futuras de dois, cinco ou 10 anos com base nas projeções de economistas e de outros especialistas sobre o que viria no futuro. O famoso planejamento estratégico das empresas era construído tendo estas projeções como base.

Mas como as mudanças ocorrem de forma muito mais rápida hoje em dia do que antes, cada vez mais empresas estão entendendo que não podem trabalhar com estratégias reativas. Elas precisam, mais do que nunca, criar possibilidades de transformar a realidade com que cada empresa tem contato e ajudar a construir o futuro que a companhia (e as pessoas que fazem parte dela) querem habitar.

“Estou lendo um livro, o Cenários Transformadores, que mostra como vários países, como a Colômbia, a África do Sul e o Chile, já utilizam esta metodologia de cenários transformadores”, recomendou no webinar Amélia Malheiros.

Este mesmo princípio de não apenas reagir aos cenários desafiadores mas de criar oportunidades é o que motivou o conceito Economia Afetiva e o projeto relacionado à ele para a indústria da moda chamado Trama Afetiva. Com consultoria do especialista em moda e jornalista Jackson Araujo, o projeto reuniu grandes nomes do setor e estudantes para uma experiência colaborativa de criação em upcycling.

“Depois de 3R e dos 5Rs, criamos uma nova consciência em relação aos resíduos em todas as indústrias. Dentro deste contexto, pensamos que o upcycling poderia ser um ciclo para cima. Aquela matéria prima que já foi tirada do meio ambiente e que já causou o seu impacto ambiental, poderia no final do um processo ser reutilizada de uma forma mais nobre”, explica Amélia Malheiros.

Esta resignificação dos produtos que seriam descartados e que voltam para o mercado com valor agregado é possível através do design aplicado na indústria da moda. Mas a presidente do SCMC ressalta, no webinar da Audaces, que este design não é entendido apenas em sua função tradicional, aplicado na criação dos produtos, mas de forma mais ampla, pensando todo o ciclo daquele produto – inclusive o seu descarte de forma mais adequada.

A ideia é que, no final da vida útil do produto da indústria da moda, ele possa ser transformado em um novo artigo valorizado pelo design. “Com isso, o processo produtivo traz para o meio ambiente um ganho e não uma perda”, comentou Amélia Malheiros. Confira mais sobre estes conceitos e conheça o projeto Trama Afetiva acessando o webinar gratuito promovido pela Audaces.

Fonte: Audaces.