Minifábrica têxtil com o novo modelo de produção já está sendo criada no campus da Senai Cetiqt, no Rio de Janeiro, com previsão de funcionamento em setembro.

A Convenção Internacional de Moda, da International Apparel Federation (IAF), que será realizada de 16 a 18 de outubro pela primeira vez no Brasil, colocará em debate os desafios da indústria para o modelo de manufatura 4.0. Mas o que é a indústria 4.0? Trata-se, segundo estudiosos, da 4ª Revolução Industrial, que será marcada pela integração entre os espaços virtual e físico, as pessoas, os produtos, as máquinas e os softwares.

No Brasil, a implantação desse novo modelo de produção na indústria de confecção já está acontecendo no campus da Senai Cetiqt, localizado no bairro do Riachuelo, no Rio de Janeiro. A minifábrica está prevista para entrar em funcionamento no final de setembro e será um dos destaques da convenção da IAF. O engenheiro e professor Robson Marcus Wanka, gerente de Educação do Senai Cetiqt-RJ, é o idealizador do projeto de indústria 4.0 na instituição. Ele faz suas apostas.

“Não há dúvidas de que o modelo 4.0 será o futuro da manufatura industrial, com a participação cada vez maior do consumidor no processo de produção das peças, tendo a conectividade como grande diferencial. Será uma nova etapa para a indústria têxtil e de confecção, e também para o consumidor, de customização e democratização da moda, dentro de um modelo de confecção e consumo bem diferente do que existe hoje”.

A minifábrica da Senai Cetiqt vai confeccionar alguns tipos de roupa como calças legging, capri e corsário e bermudas, tudo 100% poliéster. Com ajuda da tecnologia, as peças serão personalizadas pelo consumidor, que terá à sua disposição uma seleção de estampas. Essa integração entre a indústria e o consumidor é a novidade nesse modelo.

A primeira planta piloto de confecção no sistema 4.0 do Brasil traz todas as etapas desse novo processo de produção de roupas. O sistema começa com um ‘espelho virtual’, onde o cliente escolhe o produto que será fabricado – uma calça legging, por exemplo – e a estampa que deseja. A máquina e um robô – que dá um toque na coxa do cliente – tiram as medidas do indivíduo e calculam até o seu tônus muscular, a fim de adequar a peça ao tipo físico. Depois disso, o cliente informa nome e e-mail em um tablet e dá autorização para iniciar a confecção da roupa.

A partir daí, a peça começa a ser produzida. Entra em operação então a impressora, que depois transfere o molde customizado para a máquina onde está o tecido. A outra etapa é cortar automaticamente a peça. A única etapa em que há interferência humana é na costura. Mesmo assim, um sistema virtual mostrará o passo a passo para costurar a peça. Por fim, outra máquina dobra e ensaca. Detalhe: a assinatura do cliente vem impressa no cós da calça; um produto personalizado e totalmente customizado.

Segundo o professor Wanka, o projeto que está sendo implantado no campus do Senai Cetiqt foi inspirado no modelo da Apparel Made For You (AM4U), uma startup americana da Califórnia (EUA). Ele explica que o modelo sofreu alterações de acordo com pesquisas de mercado realizadas no Brasil.

“A diferença é o processo de tingimento físico, que, em nossa planta foi substituído por um sistema de impressão somado a uma calandra para sublimação. Optou-se por este tipo de tecnologia pelo fato dessas máquinas serem facilmente encontradas no Brasil, a um custo relativamente baixo, com alta solidez à lavagem e qualidade de impressão, facilitando a reprodutibilidade de nossa planta. É importante lembrar que esse é um sistema sustentável, pois não usa água, já que não há pré ou pós-tratamento do tecido”, explica o professor.

Dentro do modelo de indústria 4.0, a ideia é dinamizar o uso das máquinas sem gerar desemprego. A solução, segundo Wanka, será investir na capacitação de costureiras e operadores de máquinas têxtis, de modo a manter a força de trabalho, ao mesmo tempo em que aumenta a capacidade e qualidade de produção, em menor tempo.

“Nossa planta visa demonstrar diversos componentes de tecnologia que trarão benefícios reais às atuais indústrias, reduzindo custos de produção, trazendo aumento de qualidade, disponibilizando informações em tempo real e facilitando a integração com outros sistemas, como e-commerce e outras máquinas e equipamentos”, afirma o professor.

É importante destacar que este é um projeto desenvolvido inteiramente numa instituição de ensino, o que é essencial na formação dos alunos, futuros profissionais do setor.

O gerente de Educação do Senai Cetiqt revela que o grande desafio será na área de automação, adequando as máquinas, por exemplo, para utilização de diferentes tecidos nesse processo. Wanka enfatiza que o momento é de grandes oportunidades e mudanças positivas para o setor têxtil e de confecção no Brasil. E aposta que o pontapé inicial nessa transformação virá com a conferência do IAF, em outubro. “Acredito que a grande contribuição desta conferência seja a abertura de novas portas do Brasil para o mundo. Estamos na era do compartilhamento, conectividade e novas experiências, e os princípios da indústria 4.0 são os mesmos da atual sociedade, as chamadas conexões ciber-físicas”, conclui.

Fonte: SEGS.