Com a Carcel, Louise van Hauen e Veronica D’Souza empregam presidiárias em Cusco

Louise van Hauen e Veronica D’Souza, fundadoras da Carcel (Instagram/Reprodução)

Enquanto muitas marcas internacionais utilizam mão de obra de presidiárias a custo baixíssimo, num regime quase de escravidão, as designers dinamarquesas Louise van Hauen e Veronica D’Souza tentam mudar esse cenário. Com a marca Carcel, elas empregam mulheres carentes em uma prisão em Cusco, no Peru, a salários justos e com a participação de suas famílias. “Eles não têm acesso ao mercado ou a salários adequados – tem havido produção nas prisões há muito tempo, mas acho que o que nos diferencia de qualquer programa vocacional bom é um bom salário”, contou Veronica a uma publicação americana.

Outro diferencial da dupla é utilizar matéria prima de produtores locais: a marca produz suéteres de lã de alpacas criadas na região, e o preço das peças varia de US$ 175 a US$ 1,4 mil na loja online da Carcel. A primeira coleção foi lançada nesta semana, em Copenhague.

As amigas se conheceram quando trabalhavam no Quênia. Enquanto Louise era gerente criativa de uma marca de bolsas, Veronica fazia parte de um projeto que distribuía coletores menstruais a mulheres que ainda não tinham acesso a eles. Com as atividades na ONG, ela descobriu a situação das prisões femininas e a dificuldade da população carcerária em ter acesso ao mercado e remunerações adequadas – daí veio a ideia da Carcel. As duas passaram a pesquisar em que lugares do mundo encontrariam materiais locais de qualidade e possibilidade de ajudar presidiárias, até que se encantaram com o Peru e a noção de design de suas moradoras.

D’Souza e Van Hauen já planejam expandir o negócio para outras partes do mundo, e recentemente visitaram prisões femininas na Tailândia. O plano é ajudar mulheres em pelo menos cinco países.

Veja mais sobre as peças e o processo de produção na galeria em: http://elle.abril.com.br/moda/essas-duas-designers-dinamarquesas-empoderam-mulheres-no-peru/

Fonte: Elle Brasil.